20090406

desfragmentação às 6:40

O sono nao chega nunca. Se chega, acaba rápido. Que criatura teria tanta preocupação que, considerasse o ato de dormir uma coisa praticamente inacessível? Associava dormir a um tipo de entrega, dessas que se faz de olhos fechados, e venha o que vier. Era isso que a sitiava? Estava presa em sua própia inquietação de espírito e não conseguia passar para o lado de lá.
Podia ser compatível com excesso de desejos. Cada dia, partido em horas, que se partiam em minutos, tinham significação e, exigiam racíocinio especifico. Já era automático. Estranho colocar desejo e raciocínio na mesma frase, já que a incompatibilidade entre os dois é descarada. Mas era essa mistura que parecia gerar toda a insensatez.
Não era justo, não conseguir entregar o corpo a um descanso e passar o dia com os olhos pesados, por causa da fadiga gerada por desejos incompreensíveis e inomináveis. Seriam todos assim? Outro erro. Que vício desnecessário era esse, a comparação. Tinha se apropriado dessa obsessão desde que começou pensar. E isso só paralisava, deixando-a correndo como atrás, ou em círculos, como se o progresso pessoal fosse uma utopia. Era isso. A utopia da definição individual e da conquista que seria prosperar em alguma atividade.
Além disso não podemos deixar de falar do amor. Essa graça que vem permeando os corações humanos também representava uma boa perda de sono diário. Quando desejava alguém era impossível conter os pensamentos enérgicos, impetuosos e as fantasias romanticas e mirabolantes que pareciam brotar como flores em sua cabeça. A frase que mais gostava era quando Mr. Darcy fala, numa mistura de alívio e confissão, 'I Love you....Most Ardently' para Lizzie, na história de Jane Austen. Gostava do ardently. Se identificava com a veemencia e o ardor, que a faziam dela uma pessoa desassossegada.
Era essa sua natureza. Incandescente, arrebatada por qualquer micro sentimento ou pensamento cotidiano. Grande para as coisas que não se pode nomear, subjetivas e complexas, e, pequena para as coisas práticas, lógicas e nítidas.

ventura

Desde pequena sabia que passava uma grande parte do dia como refém de devaneios. Constantemente se entregava aos caprichos da imaginação e por ali ficava. Algumas vezes chegava a ficar em dúvida do que podia realmente fazer no plano do que existia de fato. Rezava, pedidndo objetividade. Tal caracteristica da qual se sentia desprovida, parecia ser o centro do furacão que tirava seus pés do chão diariamente. A falta de direção se unia ao excesso de interesses que as coisas lhe despertavam, e era possível que a cada dia uma paixão nova aparecesse para ela. Na verdade, podemos dizer que era uma pessoa que se encantava com qualquer pequena descoberta cotidiana. Parecia ser tomada por pequenas epifanias,e o que as mais banais das criaturas achassem ordinário, para ela era estravagante, maravilhoso e memoravél.
Talvez isso lhe fizesse uma pessoa rara. Com certa doçura. Mas viver nesse mundo de lampejos brilhantes acerca da vida também tinha seus buracos negros. Do mesmo modo que era envolvida pela admiração e exaltação das vivências rotineiras sentindo-se muitas vezes enlevada, subitamente tudo mudava de lugar. Sua visão e pensamento perdiam a limpidez e o brilho, e ela passava a acreditar em coisas nocivas. Que transgressão era essa. Já estava indo além do que era permitido, então só podia dar nisso : ruína. A maior conquista seria não entrar nessa onda de pensamentos prejudiciais. Mas era muitas vezes como uma idéia impertinente, uma perseguição insistente da qual ela não conseguia fugir.
Gostava tanto do outro pólo! Ah, a luz, a vivacidade, o esplendor. Ostentava com prazer a magnificência. Os dias tinham cores inéditas, o por do sol excepcional, o verde cada vez mais verde, as rosas, os crisântemos, as borboletas com suas asas coloridas e brilhantes, os livros (estes eram os que lhe mostravam as direções a serem seguidas), as palavras sempre primorosas aos seus ouvidos ...A imensidão do mar azul,as florestas, o mistério que movia sua fé e fazia dela uma pessoa que acreditava no amor. Eram essas as coisas que importavam e que tinham que perdurar. Para isso sabia que não podia perder a coragem. A firmeza de espírito trazia grandes reconpensas. E assim ela ia entre incertezas e valentia, pensando que como Cecília Meirelles tinha aprendido com a primavera a se deixar cortar e voltar sempre inteira.

genuino

Se de tudo e mais um pouco pretendo viver
quero sua serenidade perene.
Paulatinamente nos misturamos, temos o mesmo tempo.
Faisca, corisco, relampagos.
Voce, tao resplandecente faz minhas noites com deleite.
doçura florecente, coisa rara, espero que para sempre.

MAGNETO

Seu campo magnetico ainda me alcanca. Seria algo como o Sol. Mesmo a milhoes de kilometros de mim, eu sinto o calor dele no meu corpo. Quem ...